Caminho

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há tanto tempo que caminho

e o caminho nunca se faz

procuro uma paragem.

onde possa encontrar paz

uma porta que se abra

um rosto na janela

uma promessa de colo.

E eu entro nesse ventre

e já não há destroços, nem dor, nem desilusão

há uma pele que se confunde com a minha

e onde as palavras colam 

e os gestos… esses são sílabas,

colados rentes ao coração.

 

 

 

 

 

frágil

 

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Essa coisa de sermos fortes e de ficarmos mais duros com as dores e as desilusões é treta.

De cada vez, inauguramos uma nova esperança. Um novo querer, um acreditar. É a medo, é certo, mas pensa-se… Desta vez pode ser que…

E descobrimo-nos como da primeira vez.

Inteiros na dádiva.

Frágeis na desilusão.

nem sei como desatar o nó. uma pessoa passa a vida a calafetar os poros por onde saem as emoções e chega um dia em que as quer pôr em palavras e já não consegue.

o nó dos enganos. o nó das esperanças mal fundadas. o nó da felicidade tão perseguida e tão pouco apercebida.

terei sempre virado enganada no próximo cruzamento? ou terei ouvido mal a explicação do caminho? é falta de sentido de orientação com certeza.

cessar a busca. não esperar nada dos outros. do amor. do corpo.

Da mudez

Não sei onde as palavras pecaram por excesso ou falta. Sei que são os atos que nos definem, mas também preciso de palavras. Intuo no teu olhar, na maneira como sinto o teu corpo no meu, que te faço falta.

Mas gostava de ouvir que te lembras de mim quando te deitas e quando acordas, ou apenas quando a luz incide no rio de forma especial, refletindo a catedral e sentes que eu não estou aí para o comentares comigo.

Gostava de saber que o sentes, mesmo que não o digas.